segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

De frente para Deus



Foi nos ensinado que quando morrêssemos iríamos para o céu e lá estaríamos frente a frente com Deus, sendo que Ele teria uma forma humana, talvez um velhinho de longa barba branca.

Assim como os antigos que não compreendiam o tempo tiveram que humaniza-lo com uma personificação humanóide do deus do tempo, nós assim o fizemos com o Deus único em que acreditamos, pois estamos longe de compreender o que é o Criador do Universo.

Na primeira pergunta de “O Livro dos Espíritos” de Allan Kardec, o eminente codificador da Doutrina Espírita pergunta às Entidades Superiores:

“Que é Deus?” No que elas respondem: “Deus é a inteligência suprema, causa primária de todas as coisas.”

Como depreendemos da retro-citada pergunta, a única coisa que podemos ter certeza é que Deus é a inteligência suprema e o Criador do universo, mas não que ele tenha forma humana, a razão nós convence de que essa forma simplista de crer num Deus antropomórfico não mais cabe em nossos dias, porquanto essa imagem é fruto da nossa inteligência limitada que tenta limitar também aquilo que não conhecemos.

A contínua análise das demais pergunta de “O Livro dos Espíritos” nós mostra que Deus deve possuir todas as virtudes ao infinito, sem o que ele não seria perfeito e não sendo perfeito a Lei que rege o universo estaria comprometida, pois como fruto de um ser imperfeito esta também seria imperfeita. Portanto Deus, para ser Deus, tem que ter todas as virtudes em um grau infinito e perfeito.

Mas debater sobre o que é Deus é conversa infrutífera, porquanto, como consta no primeiro livro do Pentateuco Kardequiano, nós ainda não possuímos todos os sentidos suficientes para contemplarmos a Deus. O importante no nosso estágio evolucional é o que está acertadamente grafado na seguinte passagem do Novo Testamento:

“Deus é amor.” (I João, 5:16)

Deus é amor, sim, Deus não pune e não castiga, não guarda ódio porque Nele nunca existiu ódio que é um vício e Deus é pura virtude.

Deus não escreve certo por linhas tortas, Ele escreve certo e somos nós que lemos torto.

Como seres inteligentes possuímos o livre arbítrio e com isso a responsabilidade por nossos atos, portanto quem planta o mal colherá sofrimento e quem planta o bem colherá venturas.

Não é Deus que inflige aos Seus filhos os sofrimentos físicos e morais, mas sim nós mesmos que por conta de atos egoístas e desvarios da inconseqüência, nos comprometemos diante da nossa própria consciência que mais cedo ou mais tarde acaba por nos trazer o resultado desses atos.

Essa é a Lei que rege o universo, a Lei de Causa e Efeito, já preconizada por Newton, onde todos os nossos atos e até mesmos pensamentos refletem-se em nós mesmos. Daí a importância de uma conduta reta, voltada para o amor ao próximo que Jesus, o espírito perfeito, tanto elucidou-nos.

Com o Espiritismo compreendemos que Deus não é o carrasco da iniqüidade que pune a uns e privilegia a outros, mas sim que Ele é o Pai e Criador de todos e Quer que todos evoluam, como espíritos imortais que somos, até chegarmos a plenitude, onde estaremos libertos das nossas más tendências e dos efeitos das nossas más ações do passado e para trilharmos esse caminho o Evangelho de Jesus é a nossa bússola ou como diz Divaldo Franco, é o mapa do tesouro.

Portanto sigamos essa rota de amor ao próximo e fraternidade, onde a vivência do bem e da caridade moral e material são exercícios para domar nossos vícios e encher nossos corações com esse amor fraterno que um dia há de se instalar sobre a Terra.

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