sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

O Sofrimento



Vivemos, sofremos e aprendemos. Jesus, quando encarnado na Terra, prometeu que enviaria o Consolador, que haveria de explicar o que ele não poderia explicar naquele tempo e relembrar o que ele havia explicado, e sendo o Evangelho também um livro de consolações, é natural que uma das missões do Espiritismo seja consolar.

A Doutrina dos Espíritos amplia nossa visão, com ela passamos a enxergar a vida como um todo e não só mais a atual existência, mas sim a vida em espírito e as várias reencarnações que tivemos e havemos de ter. Passamos a compreender que o sofrimento nada mais é do que o instrumento de aperfeiçoamento como espíritos imortais que somos.

Na questão 927 de “O Livro dos Espíritos” os Espíritos Superiores nos esclarecem, com muita propriedade, que o homem só é verdadeiramente infeliz quando lhe falta o necessário ao corpo e a saúde, mas que mesmo nesses casos, esse sofrimento adveio de atos passados e aquilo pelo qual ele está passando, não é nada mais do que o resgate desses atos pretéritos, que a forma de um remédio amargo que vem para o bem do doente, esses sofrimentos vêm para o nosso melhoramento, libertando-nos dos débitos pregressos.

Outras espécies de sofrimentos nos atingem, mas que também têm nós como causa. São aqueles sofrimentos morais descritos na questão 933 do citado livro:

“Se o homem, frequentemente, é o artífice dos seus sofrimentos materiais, não ocorre o mesmo com os sofrimentos morais? Mais ainda, porque os sofrimentos materiais, algumas vezes são independentes da vontade; mas o orgulho ferido, a ambição frustrada, a ansiedade da avareza, a inveja, o ciúme, todas as paixões, em uma palavra, são torturas da alma.”

Desta questão depreendemos duas coisas, primeiro que há sofrimentos materiais que são independentes, que não são fruto das más ações daquele que os sofrem, como aduzido na questão 924, esses sofrimentos existem, porque são causados por aqueles que ainda não possuem um sentimento de fraternidade, mas que devem ser suportados com resignação, pois são provas para o nosso progresso moral e a fé no futuro é o amparo que temos para suporta-los.

Secundariamente depreendemos que os maus sentimentos são causas de pungentes sofrimentos, e a inveja e o ciúme são os maiores deles. No capítulo 5, de “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, temos uma bela dissertação intitulada “Os Tormentos Voluntários”, que trata dos malefícios do ciúme e da inveja, que atormentam, tirando-nos o sono, fazendo-nos infelizes toda vez que deslumbramos a felicidade alheia. Por estes motivos devemos "podar" tais sentimentos de nossa alma, pois só assim alcançaremos a paz de consciência.

Concluímos, portanto, que do ponto de vista espírita, os sofrimentos pelos quais passamos nada mais são do que instrumentos para o nosso progresso, são como que estimulantes para o nosso crescimento, pois sem eles haveríamos de ficar estagnados e vivendo na ociosidade. Vide o mundo, se não fossem os sofrimentos causados por inúmeros fatores, seja doenças ou desastres naturais, o cérebro humano não teria trabalhado arduamente para conter as causas desses tormentos e assim não teríamos saído das cavernas.

No livro “Chico Xavier Responde” do médium Carlos Baccelli, o espírito do apostolo Francisco Cândido Xavier diz que “o sofrimento conduz ao progresso e o progresso anula, progressivamente, o sofrimento”, reflitamos, pois, nesta frase de sabedoria.

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