terça-feira, 19 de abril de 2011

“Amareis vosso próximo como a vós mesmos.”

Havia um jovem homem, médico recém formado, de nome Heitor.

Apaixonado pela medicina, começou a clinicar atendendo em postos de saúde da sua cidade.

Porém, Heitor era mais apaixonado pela medicina do que pelas pessoas.

O choro das crianças, o natural vagar dos idosos, a aflição dos que padeciam dores, tudo isso lhe “estressava” e, às vezes, chegava ao ponto de irritá-lo, fazendo com que agisse de maneira áspera e orgulhosa, diante dos pobres aflitos que o procuravam.

Sucedeu que, ao término de mais um ano, Heitor começou a sentir fraqueza e indisposição, juntamente com taquicardias e acentuada palidez na face.

Em exames médicos especializados, descobriu-se grave doença cardíaca de cunho genético, que só agora passara a se manifestar.

O jovem médico sentiu-se perdido, desamparado e sozinho, sua medicina – que lhe era instrumento de vaidade – não o poderia curar e tampouco sua fé – que era exclusivamente ritualística – lhe valeria de alento.

Heitor definhava física e psicologicamente.

Mesmo que ele, tendo as medicações como substrato orgânico, pudesse trabalhar, o jovem médico perdera totalmente o ânimo.

Certo dia, no entanto, na sala de espera de mais uma das suas consultas ao colega cardiologista que o tratava, Heitor pôs-se a conversar com uma bela jovem que também estava na espera.

Tal moça, de nome Clara, falou que também padecia de enfermidade cardíaca grave, mas que, graças a Deus, era muito bem controlada.

Sorrindo e alegre, Clara surpreendeu Heitor que era o retrato da desolação.

- Como consegue ser assim tão alegre vivendo sob as condições de enfermidade em que nos encontramos? – pergunta o jovem médico à moça que lhe inspirava simpatia.

- Eu não tenho tempo para lamentar. Me dedico a minha profissão de professora, pois também me formei recentemente, e nas horas vagas me dedico aos trabalhos assistenciais de levar consolação e esperança aos irmãozinhos do hospital do câncer da nossa cidade.

- Trabalho voluntário? – pergunta o rapaz.

- Sim. Faço por amor. Como cristã, entendo que meu dever é tentar ser um pouquinho útil aos semelhantes que padecem de dores e sofrimentos muito maiores do que os nossos. É assim que me sinto próxima de Jesus, que vem cumprir a Sua promessa de aliviar as nossas dores. É uma terapia que me predispõe a paz interior, a tranqüilidade e ao desenvolvimento do amor próximo. – sorri Clara.

Desde aquele dia, então, Heitor, convidado pela jovem professora, passou a auxiliá-la nos trabalhos de amparo, consolação e esperança junto ao hospital do câncer local, além de acompanhá-la nas atividades da casa espírita em que Clara servia.

Heitor passou, consequentemente, a desfrutar do clima de paz que só quem desenvolve o amor no coração possui.

Sua doença continuou a existir, mas seus efeitos destruidores ficaram estancados, pois, junto ao tratamento médico convencional, o jovem médico recebia o alívio que Jesus proporcionava, o alívio de paz e felicidade, conquista pessoal daqueles que se predispõem a desenvolver o amor ao próximo praticando a caridade, único meio de evoluirmos para o Pai e de conquistarmos a paz interior, que é o sustentáculo para as nossas atribulações diárias.

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Não só o Espiritismo – que é o Evangelho Restaurado – tem como base o amor ao próximo. Mas a Doutrina do Consolador Prometido nos esclarece de maneira lúcida e clara, quais os reais benefícios da prática do bem, que constitui, em verdade, salutar terapia de desenvolvimento espiritual, vez que leva ao germinar das virtudes de que todos nós somos inerentes possuidores.

A caridade, isto é, a terapia do amor em ação, pode ser o suave perfume balsamizante na vida dos que sofrem, pode ser o doce néctar de consolação e amparo aos filhos do Calvário, mas também é a gloriosa luz do Senhor a iluminar o âmago daqueles que se põem a servir e a dedicar-se, uma hora do seu mês que seja, a essa terapia salutar que Jesus tanto recomendou.

Tenshi,

Areado, 19/04/2011.

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