terça-feira, 3 de maio de 2011

EDUCAÇÃO (algumas reflexões)

A princípio, é válido dizer que ao escrever esse despretensioso artigo, estou me arriscando numa área na qual sou leigo, porém, ousando, convido o leitor a refletir um pouco sobre a educação, em especial, àquela dirigida à infância e a adolescência.

Hodiernamente noto que no que tange a educação, existe uma diferença substancial entre as escolas particulares e as públicas: nas primeiras, a educação – que é puramente intelectual – visa apenas e tão somente que o aluno adquira conhecimento para fins de vestibular e, com efeito, elevar o nome da escola a patamares da fama que resultarão em retorno financeiro para a mesma; nas segundas, não raramente, o que se quer é que o aluno – desinteressado – passe de ano.

Obviamente existem, nas duas espécies de instituições de ensino, as suas exceções, tanto entre os profissionais, quanto entre os alunos.

O interessante é que o conceito de educação, a paideia - surgida na Grécia no século V a.C. e tendo como incentivadores grandes vultos como Sócrates, Platão e Aristóteles -, tinha como escopo não só a formação intelectual do indivíduo, mas a sua formação como cidadão, isto é, formar o caráter ético e moral da pessoa.

Johann Heinrich Pestalozzi, grande pedagogo e educador suíço, no início do século XIX, incorporou o afeto à educação, ensinando que o amor deflagra a autoeducação do indivíduo. Para ele só o amor tinha força salvadora, capaz de levar o ser humano a plenitude moral. Pestalozzi, obviamente, não desconsiderava o valor do patrimônio intelectual, mas ressaltava claramente o valor do desenvolvimento moral dos indivíduos.

Allan Kardec, o ínclito codificador da Doutrina Espírita, ao questionar os Espíritos Superiores sobre as necessidades das leis penais, obtém resposta que aqui transcrevo por julgar pertinente ao tema:

796 – A severidade das leis penais não é uma necessidade, no estado atual da sociedade?

- Uma sociedade depravada tem, certamente, necessidade de leis mais severas. Infelizmente, essas leis se interessam mais em punir o mal, quando já feito, do que secar a fonte do mal. Não há senão a educação para reformar os homens. Então eles não terão mais necessidade de leis tão rigorosas

Mas, a qual tipo de educação refere-se essa resposta? Seria a educação exclusivamente intelectual, aquela que enche o indivíduo de bagagem cultural, mas carece de lhe ensinar a respeitar ao próximo? A resposta para tal questionamento encontra-se na questão de número 889 do mesmo livro, que diz: [...] “mas se uma boa educação moral os houvesse ensinado a praticar a lei de Deus, eles não cairiam nos excessos que causam a sua perda; é disto, sobretudo que depende o melhoramento do vosso mundo.

É a educação moral, a mesma já aclamada por Pestalozzi como tão necessária.

Numa sociedade que parece caminhar, dia após dia, para o caos do desrespeito ao próximo, do egoísmo que massacra os interesses alheios em nome dos próprios interesses de sempre ter e ter mais, culminando, muitas das vezes, em crimes bárbaros, a necessidade de uma educação ético-moral das crianças e dos jovens, torna-se gritante.

Para sabermos qual a fórmula desta espécie de educação, recorro ao maior educador do mundo: Jesus.

Nas palavras do espírito Joanna de Ângelis, em psicografia do médium Divaldo Franco, fica clara a importância do Mestre Nazareno para a humanidade:

“[...] Jesus é atual pelas terapias de amor e pelos ensinamentos que propõe ao homem contemporâneo, mas, também, pelo exemplo de felicidade e exteriorização de paz que irradiava.

Enquanto as ambições desregradas conduzem as inteligências ao paroxismo e à alucinação da posse, da fama, da glória, das disputas cegas, Ele ressurge na consciência moderna em plenitude, jovial e amigo, afortunado pela humanidade e a segurança íntima.

A atualidade necessita urgentemente de Jesus descrucificado, companheiro e terapeuta em atendimento de emergência, a fim de evitar-lhe a queda no abismo.”

A terapia que Jesus propõe como meio de educar moralmente o indivíduo, é a chamada terapia da caridade. Ele ensinou tal terapia em várias passagens, notadamente na Parábola do Bom Samaritano, onde fica claro que o amor em ação, isto é, a caridade, é capaz de moldar os sentimentos humanos para o respeito ao próximo, algo que a nossa sociedade tanto precisa.

Ensinando e exaltando o amor ao próximo, Jesus queria dizer que sem o exercício deste, não haveria meio de efetivamente criar no coração das pessoas o sentimento de respeito por outras criaturas, o sentimento de fraternidade.

Por isso Chico Xavier estimulava tanto os trabalhos assistências e de beneficência voluntária. Mesmo que uma vez ao mês, incentivava Chico, seria salutar que doássemos aquilo que possuímos – nossa paciência, palavras de esperança, palavras de consolação e até mesmo algo material – para aqueles que precisam, pois assim estaríamos exercitando a solidariedade e a fraternidade, logo, estaríamos desenvolvendo gradativamente esses mesmos sentimentos em nós.

Questiono se as instituições de formação da criança e do adolescente não poderiam incentivar tal prática? Me pergunto se seria viável a aplicação desse método junto às instituições de ensino? Mais do que ensinar valores, tal terapia estaria esculpindo valores éticos e morais no caráter dos jovens.

Hoje, quando muitas famílias desestruturadas são incapazes de fornecer o mínimo de valores ético-morais para seus filhos, não caberia às escolas algo colaborarem nesse sentido? Não digo em substituir aquilo que compete aos pais, coisa que seria impossível, entretanto o mínimo em educação moral – não desprezando a educação de cunho intelectual -, também não seria obrigação das escolas? Afinal, vivemos em sociedade, e a criança ou o jovem que no futuro se torna um adulto avesso às regras básicas de respeito e solidariedade, acabará por afetar negativamente a nós mesmos.

Deixo aqui mais questionamentos do que respostas, pois reconheço minha incapacidade de estas fornecer; espero, no entanto, que o nobre leitor que perdeu seu tempo lendo esse humílimo artigo reflita um pouco.

2 comentários:

CLAUDIA disse...

Vladmir precisamos falar mais em cristianismo, da maneira mais ampla possível, procurar atingir o maior numero de pessoas com nossas postagens e palavras.Tenho um blog só de textos filosóficos cristãos,Tenho postado pouco por lá, primeiro porque estou atarefadíssima com os afazeres da família e depois por que os temas são para pensar e não para entupir a blogsfera de palavras,Se quizer dar uma visitadinha...praquemgostadepensar.blogspot.com.E vamos aprendendo com o Dr Inácio a sermos trabalhadores sinceros da seara espírita.

CLAUDIA disse...

parece que o nome do meu blog saiu falatando pedaço.Vai aí de novo
praquemgostadepensar.blogspot.com