quarta-feira, 1 de junho de 2011

"Setenta vezes sete"

João e Pedro eram sócios numa muito lucrativa empresa de vendas de carros. Ambos também eram amigos de longa data e sempre se deram muito bem.

Porém, terminado mais um ano, após os cálculos do balanço anual, Pedro verificou um desfalque financeiro muito grande entre os números que estavam no papel e os valores que de fato dispunha.

Para a surpresa de Pedro, tudo apontava que João havia se apossado dos valores que haviam desaparecido.

De imediato, ódio e fúria tomaram conta do empresário.

- Como pode? Confiei nele a vida toda e a vida toda ele me rouba! Retira o que é meu e também dos meus filhos, ele que sequer tem filhos para criar! - gritava o lesado.

Obviamente, em pouco tempo a sociedade estava desfeita – não antes de Pedro ter terrível briga verbal com João, prometendo vingança – e cada um tomou seu rumo na vida.

As dificuldades financeiras que Pedro passou a encontrar só aumentavam em seu espírito o desejo de vingança contra João.

O ódio acumulado o torturava, dia e noite, no trabalho e no descanso, ele maquinava planos de vingança, pensando, inclusive, em meios de extirpar a vida do ex-sócio e amigo.

Pedro lamentava não poder fazer mais pelos seus filhos, que antes tinham uma vida confortável. Ele se injuriava ao extremo ao pensar que enquanto passava por grandes dificuldades financeiras, João gozava a vida com tudo o que o dinheiro pode comprar.

No entanto, o que Pedro não entendia é que tudo o que João tinha era passageiro, o que fazia com que, em essência, ele não tivesse nada além da consciência poluída pela falta que cometeu, enquanto ele, Pedro, estava preso àquele ódio e desejo de vingança, que não o deixavam raciocinar e receber a inspiração do Alto para trilhar novos caminhos que o tirassem da dificuldade financeira.

E assim, sem enxergar essas verdades, a vida do ex-empresário foi caindo cada vez mais no desfiladeiro do ódio.

No ápice do desejo de se vingar, Pedro adquiriu uma arma de fogo e à noite, à surdina, foi até o ex-amigo, acabando, infelizmente, por cometer o ato mais terrível de sua vida...

Pedro foi preso, mas a satisfação do seu ódio e desejo de vingança não o fez, a princípio, lamentar o fato.

Porém, logo, o agora criminoso, cairia em deprimente e triste arrependimento ao constatar que deixara a família sozinha, seus filhos pequenos e a amada esposa – que deveriam constituir seus bens mais valiosos -, ficaram sem a sua proteção, vez que ele, desde o incidioso ato de João, passou a viver não para si e para a família, mas para o ódio e o desejo de vingança, acabando por entregar sua vida a estes dois nocivos e primitivos sentimentos.

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Jesus ao nos recomendar o perdão está a nos recomendar um remédio salutar para a saúde mental e espiritual.

Quem não se liberta pelo perdão, permanece preso a fatos ruins e a pessoas equivocadas, deixando de viver o presente e consequentemente comprometendo o futuro, que é sempre oportunidade de renovação, de angariação de bênçãos e de venturas.

A vida na Terra é passageira e a Justiça de Deus não falha.

Por pior que seja o mal que nos tenham feito, ele é rápido piscar de olhos diante da nossa imortalidade e Deus – através da consciência das criaturas – jamais deixa de exercer Sua Justiça, não cabendo a nós, criaturas falhas, exercermos o papel de juiz e de executor de penas que julgamos cabíveis.

Quem perde com isso somos nós mesmos que cultivando o ódio, deixaremos de receber as bênçãos que Deus nos oferta diariamente, vez que o ódio nos torna impermeáveis à luz que se irradia sempre do Criador para Seus filhos.

Ademais, quem alimenta sentimentos negativos encontra companhias espirituais negativas que potencializam esses sentimentos impuros.

Tenshi;

Areado, 04/05/2011.

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